O sonho de vender para um grande supermercado alemão… pode transformar-se num enorme desafio.
Quando falo com empresas portuguesas sobre a entrada no mercado alemão, há um objetivo que surge com muita frequência.
"O nosso sonho é colocar os nossos produtos na EDEKA, na REWE ou na METRO."
É perfeitamente compreensível.
Estamos a falar de algumas das maiores cadeias de distribuição da Europa, com milhares de lojas e um enorme potencial de vendas.
Mas existe uma realidade que muitas pequenas e médias empresas desconhecem.
Um grande cliente nem sempre é o melhor primeiro cliente.
Entrar numa cadeia de distribuição desta dimensão implica cumprir requisitos muito exigentes.
Dependendo da empresa e das condições negociadas, poderão existir:
- prazos de pagamento bastante longos;
- margens comerciais reduzidas;
- exigências logísticas elevadas;
- necessidade de garantir fornecimentos regulares e grandes volumes de produção;
- requisitos administrativos e de qualidade muito rigorosos;
- e, em alguns casos, condições contratuais relativas à gestão de produtos não vendidos.
Tudo isto exige uma estrutura financeira, operacional e logística que muitas PME ainda não têm.
O problema não é a qualidade dos produtos portugueses.
Pelo contrário.
Portugal produz excelentes vinhos, azeites, conservas, produtos alimentares, cerâmica, mobiliário e muitos outros produtos com enorme potencial.
O desafio está em saber qual é o melhor caminho para chegar ao mercado.
Na minha opinião, muitas empresas podem beneficiar de uma estratégia mais gradual.
- Começar por distribuidores especializados.
- Importadores.
- Grossistas.
- Lojas independentes.
- Canais online.
- Construir referências.
- Ganhar experiência.
- Perceber melhor o mercado.
E só depois dar o salto para uma grande cadeia de distribuição.
Na internacionalização, o objetivo não deve ser entrar o mais depressa possível.
Deve ser entrar da forma mais sustentável possível.
Porque aquilo que hoje parece um grande sonho pode transformar-se rapidamente num enorme desafio se a empresa não estiver preparada.
Qual é a vossa opinião?
Acham que as PME portuguesas devem procurar entrar diretamente nas grandes cadeias de distribuição alemãs ou faz mais sentido crescer de forma gradual?